mafalda
salgueiro

Mark
SOBRE A ORDEM DO DESVIO: PRÁTICAS DO ESPAÇO E ARQUITECTURA EM CONTEXTO DE HOSPITAL PSIQUIÁTRICO

FR / 2015
dissertação de mestrado na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto
após frequentação do Hôpital Psychiatrique Saint Jean de Dieu, através da École Nationale d'Architecture de Lyon

disponível aqui
/
master's dissertation at the Faculty of Architecture of the University of Porto
after attending the Psychiatric Hospital Saint Jean de Dieu, in collaboration with École Nationale d'Architecture de Lyon

available here
UMA REVISITAÇÃO ETNOGRÁFICA DE FLOR DA ROSA

PT / 2021
em colaboração com a antropóloga /
in collab with the antropologist
Ema Pires

an article at Etnográfica magazine



É na experiência do diverso, no conflito e na cooperação colectiva sobmecanismos de dominação que se preserva e se transforma o espaçofísico e social. Nesse espaço que se repleta de linhas, fronteiras,territorializações e hierarquizações, a vida social confronta-se coma pluralidade de regras e convenções que correspondem a valoreshabitualmente implícitos. Na simultaneidade em que o poder seexerce (aberto - fechado, interior - exterior, público - privado,homogéneo - fragmentado, permitido - proibido) o indivíduo vê-se invadido por estados que se balanceiam entre a submissão e avontade de libertação.Na condição de ser humano, e na sua necessidade de adquirirtempo e espaço significante de liberdade de movimentação, este, deespírito crítico activo na confrontação de pré-conceitos, de usos e dehábitos que, desde cedo lhe vão sendo incutidos, impõe-se contraa docilidade torpe, e irreflectida provocada por esses mecanismosde dessubjectivação. Essa resistência, tida usualmente como actodesviante/ transgressor é, no entanto, o início de um fluxo deprocessos de construção de trajectórias diferenciadas rumo à (re)descoberta e à (re) criação.A arquitectura, enquanto disciplina de saber-poder, que desempenhaum papel crucial na gestão de previsibilidades e coordenação deprobabilidades, é (ou pode ser), ao mesmo tempo, impulsionadora demovimentos, criadora de espaços e de práticas potenciadoras dessafuga "entre".Nesta dissertação, utiliza-se a observação directa do contexto dehospital psiquiátrico para apreender a vivência nesses espaçosconstruídos entre a ordem e o desvio. O objecto empírico de dimensãoreduzida, de terreno confinado a regras estritas, serve, assim, derepresentatividade para hipóteses gerais da compreensão da práticadesses espaços.Verifica-se que este espaço, que se inclui nas inúmeras séries dedispositivos e equipamentos técnicos que controlam o movimentodas coisas e das pessoas, encerra em si antagonismos que lhe tornainstável a sua definição; sendo recorrente a dubiedade das relaçõesnele decorridas. Ou seja, nos espaços de controlo a insubmissãocontinua presente, assim como nos espaços de libertação não deixa,contudo, de existir opressão. Desta forma, a liberdade encobreautoridades sob a imagem da livre organização, assim como, nasombra do poder nasce a subversão.






Mark
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© Mafalda Salgueiro 2021